Nascente da Água Linda: como é o novo território indígena demarcado na Grande Florianópolis

NDmais - https://ndmais.com.br - 17/01/2026
A Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) reconheceu a delimitação do território indígena Ygua Porã, localizado em uma área de 1,3 mil hectares entre Biguaçu e Tijucas, na Grande Florianópolis. A terra foi oficialmente delimitada em 22 de dezembro pelo Governo Federal.

A formalização da Funai, que reconhece que a terra é uma ocupação tradicional do povo indígena Guarani, foi publicada no Diário Oficial de Santa Catarina na sexta-feira (16).

Na tradução, o nome Ygua Porã significa "Nascente da Água Linda". Isso porque a saúde do grupo é associada à "água boa" e à proximidade de rios menores e protegidos, como o Rio Quinta dos Ganchos, que deságua na Cachoeira do Amâncio, em Sorocaba do Sul.

A título de comparação, o tamanho do território indígena se equivale ao do bairro Campeche, em Florianópolis. A delimitação do espaço integra de forma conectada as residências, as roças e a floresta.

Os 1,3 mil hectares da terra indígena abrangem para além de onde a comunidade vive e produz. A demarcação dessa extensão de terra garante a proteção da floresta e da biodiversidade do local através dos saberes e práticas sustentáveis dos indígenas, além de funcionar como barreira contra invasões, desmatamento e exploração ilegal.

Costumes de comunidade que vive em território indígena Ygua Porã
Imagens publicadas nas redes sociais da comunidade mostram o cultivo de sementes de milho e feijão, por exemplo. A estimativa é que os indígenas da terra Ygua Porã usam ao menos 70 espécies vegetais presentes na floresta que cerca o território, como lenha, plantas medicinais e matéria-prima para artesanato.

No território indígena, as casas e a casa de reza são feitas com materiais coletados na mata (madeira, taquara, cipó) e barro argiloso encontrado nas proximidades.

O relatório da Funai também explica que, para a caça, os indígenas utilizam armas feitas de madeira e cipó para montar armadilhas que capturam mamíferos e aves. No verão, é comum a pesca de jundiá e lambari para complementar a alimentação.

Além dos alimentos para subsistência, o território se sustenta com a venda de artesanatos - como cestos, colares e esculturas de madeira - em centros urbanos como Florianópolis e Balneário Camboriú, além de trabalhos sazonais e turismo cultural.

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PIB:Sul

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